Apreensão pelas ondas do rádio

"Fiquei muito confuso com aquelas notícias e, quando me dei conta do que se tratava, quis sair de casa para participar daquele momento, mas a minha mãe não deixou" Álvaro Lins Filho, tinha 15 anos em 31 de março de 1964

“Fiquei muito confuso com aquelas notícias e, quando me dei conta do que se tratava, quis sair de casa para participar daquele momento, mas a minha mãe não deixou” Álvaro Lins Filho, tinha 15 anos em 31 de março de 1964

Mesmo muito jovens, alguns personagens logo entenderam a gravidade do momento pelo qual o país passava. Jornalistas, professores e estudantes passaram a temer o pior assim que a notícia começou a circular

As memórias do golpe que mudou os rumos do Brasil em 1964 continuam inalteradas para quem tinha o mínimo de noção e de que a derrubada de um presidente eleito democraticamente teria graves consequências. Nem mesmo a campanha orquestrada pelos militares para colocar a população contra João Goulart e as reformas planejadas por ele foram capazes de convencer aqueles que tinham uma leitura mais apurada das consequências daquele ato. Jornalistas, professores e até mesmo estudantes passaram a temer o pior.

Com apenas 15 anos, Álvaro Lins Filho levava uma vida confortável em um apartamento da 105 Sul, uma das primeiras quadras do Plano Piloto. Com pai deputado federal, ele estava em Brasília havia três anos. Estudava no Centro Integrado de Ensino Médio (Ciem), na Asa Norte, onde deu os primeiros passos no movimento estudantil. O interesse pela política se deu de forma natural, já que, desde pequeno, participava das campanhas do pai.

Curioso, passou a acompanhar as notícias do país e do mundo por meio de um rádio da marca norte-americana Zenith, adquirido pela família em uma viagem ao exterior em 1956. “Aquele aparelho era o máximo do máximo. Eu sintonizava emissoras do mundo todo e, desde 1963, quando aconteceu a Revolta dos Sargentos, me interessei ainda mais pelas questões em andamento no país”, conta Álvaro, hoje com 65 anos.

O movimento, iniciado em 11 de setembro e que acabou frustrado 12 horas depois pelo Exército, foi, de alguma forma, um prenúncio do que viria cinco meses depois. “Naquele dia, pela manhã, fomos acordados por um funcionário da Câmara dos Deputados. Ele disse que o meu pai deveria seguir imediatamente para o Congresso e não deveria falar ao telefone por causa da movimentação dos militares.”

A partir dali, o clima de agitação tomou conta do país. Em 31 de março, Álvaro Lins Filho não desgrudou os ouvidos do rádio. “Ouvia as rádios de Minas Gerais e de São Paulo, que davam conta da movimentação das tropas. Fiquei muito confuso com aquelas notícias e, quando me dei conta do que se tratava, quis sair de casa para participar daquele momento, mas a minha mãe não deixou”, relata. Nos dias seguintes ao golpe, soube da tentativa de organizar uma manifestação na Rodoviária do Plano Piloto. O ato acabou frustrado, a tiros, por militares. A primeira consequência do golpe foi sentida por ele na sala de aula. “Os meus melhores professores foram demitidos sumariamente sob a acusação de serem comunistas”, conta.

Questionamento
Ao questionar uma decisão arbitrária da direção do colégio, em 1967, acabou expulso da instituição de ensino. Mas o episódio não tirou dele a postura contestadora. O engajamento político dos tempos de estudante motivaram a primeira prisão, em junho de 1968, durante uma passeata na Asa Sul. Já aluno do curso de física na Universidade de Brasília foi detido novamente em um comício relâmpago, depois de apanhar de militares.

Quando deixou a prisão, partiu para a fase mais radical de sua atuação: a clandestinidade. Participou de ações da guerrilha urbana em São Paulo e no Rio de Janeiro. Teve vários nomes. Com a prisão de colegas, decidiu adotar uma nova vida na capital carioca. Em novembro de 1972, ele começou a trabalhar como torneiro mecânico e a atuar no movimento sindical. Deixou a fábrica em 1984 e, desde então, passou a atuar na área de marketing político.

Fonte: Correio Braziliense

Secundaristas se uniram a universitários na resistência à ditadura

'Fomos cercados. Corri pra um prédio e estávamos entrando no elevador quando veio mais um cara. Achei que fosse outro estudante, mas ele jogou uma bomba de gás dentro. Mais homens chegaram e me bateram muito'</p>
<p>Álvaro Lins, especialista em marketing político (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
“Fomos cercados. Corri pra um prédio e estávamos entrando no elevador quando veio mais um cara. Achei que fosse outro estudante, mas ele jogou uma bomba de gás dentro. Mais homens chegaram e me bateram muito” Álvaro Lins, especialista em marketing político

Nem só de universitários viveu a resistência contra a ditadura militar em Brasília. Os secundaristas movimentaram as escolas do Distrito Federal, inclusive com paralisação de aulas e tomada de gestão. O Clube da Imprensa também tornou-se reduto de opositores. Com movimentos sindicais ainda incipientes e as sedes muito vigiadas, restou aquela alternativa. O Centro Cultural de Brasília (CCB), casa de jesuítas, abrigava a Pastoral da Juventude e se envolveu em questões policiais. Padres chegaram a visitar estudantes nas delegacias e o próprio CCB serviu de espaço para reuniões.

Álvaro Lins, hoje dono de uma empresa de marketing político, chegou a Brasília em 1961. No fim da educação básica, passou no concurso para o Centro Integrado de Ensino Médio (Ciem), onde hoje funciona o ambulatório do Hospital Universitário de Brasília (HUB). O colégio era uma iniciativa pioneira, capitaneada por Anísio Teixeira. A ideia era formar cidadãos com capacidade crítica. Por esse motivo, o Ciem também tornou-se foco de atenção por parte do governo. “Acabei expulso em 1967 por questionar uma decisão arbitrária do diretor adjunto”, lembra Álvaro. O diretor era conhecido como padre Montezuma e expulsou a aluna Hileana Menezes Pinto, por ela ter uma postura “avançada”.

O engajamento iniciado no colégio não morreu com a expulsão. Em junho de 1968, em meio a uma passeata na altura da 506 Sul, foi preso pela primeira vez. “Fomos cercados. Corri pra um prédio e estávamos entrando no elevador quando veio mais um cara. Achei que fosse outro estudante, mas ele jogou uma bomba de gás dentro. Mais homens chegaram e me bateram muito”, conta.

O Diretório Central dos Estudantes Secundaristas de Brasília (DCESB) era acusado de atuar nas manifestações de 1968, bem como de vinculação com organizações clandestinas de esquerda, como o Partido Revolucionário Trotskysta (Port), a Ação Popular (AP), a Ala Vermelha do Partido Comunista e a Aliança Libertadora Nacional. O movimento secundarista tinha atitudes mais agressivas e estava espalhado por todo o DF. No Colégio Agrícola de Planaltina, 106 alunos, que moravam e trabalhavam no local, consideravam estar submetidos à exploração de mão de obra sem proveito educacional. Depois de conversas sem resultado com a direção, os alunos decidiram, em 4 de julho, tornar a escola um território livre. Expulsaram o diretor e passaram a controlar a escola. A polícia chegou na madrugada. Os líderes fugiram pelo cerrado. O Ministério da Educação e Cultura, ao qual o colégio era ligado, desligou 80 estudantes. Logo depois, veio a ocupação do Elefante Branco, que também terminou com a expulsão de alunos, desta vez revertida pela Justiça.

Campanha eleitoral na Era Digital

A influência das redes sociais nas eleições e as ferramentas mais importantes na corrida pelo voto foram algumas das questões discutidas no debate sobre marketing político promovido pela fundação Herbert Daniel na última quinta-feira, dia 24. A mesa redonda foi composta por dois especialistas: Luis Natal, diretor da Rio Grande Comunicação e Álvaro Lins, diretor da piguara.com, empresa especializada no planejamento de campanhas eleitorais e na atuação política nas redes sociais.

Logo no início do debate, o especialista Álvaro Lins afirmou que há diferenças na forma da audiência televisiva e na audiência da internet, pois na segunda o usuário produz conteúdo e interage. Também falou que captar as falhas do adversário e conseguir viralizá-las pode ser catastrófico para a concorrência. O CEO da Piguara.com ainda afirmou que a geração de conteúdo pessoal gera comunidades e grupos e consequentemente toda uma interação na internet. O engajamento é a finalidade da comunicação na rede.

O especialista Luis Natal, por sua vez, defendeu que a TV é o meio onde se constrói a imagem do candidato. A internet, segundo ele, ainda é o espaço da canelada pela falta de regulamentação. Natal também citou a exclusão digital. E afirmou que a televisão e o rádio ainda são os grandes formadores de opinião.

Com uma avaliação diferente, Álvaro Lins argumentou que na TV os programas duram pouco tempo, já a internet está no ar 24h por dia. Também salientou que nas redes sociais a campanha já começou e que não há espaço para improvisação, o conteúdo deve ser dinâmico e bem apresentado.

O evento foi encerrado com a fala do Presidente do Partido Verde, Deputado José Penna: “Meu grande medo com as mídias modernas é repetir McLuhan: O meio é a mensagem. É esquizofrênico tentar salvar o mundo na rede e não tapar um buraco na sua rua, mas apesar do medo do desconhecido eu tenho facebook, site, twitter e TV”.


Facebook? Politibook? Votobook?

A importância da presença no Facebook para a construção da imagem do político na web.

O Facebook é uma rede social que foi lançada em 4 de fevereiro de 2004. Em outubro de 2012 o Facebook superou a marca de 1 bilhão de usuários ativos. Em média 300 mil pessoas se cadastram, por dia, no Facebook. No Brasil é a mais importante mídia social, superando o Orkut desde de dezembro de 2011.
Atualmente o Facebook tem no país cerca de 73.000.000 usuários e, para muitos, a rede social se confunde com a própria Internet. A venda crescente de smartphones está diretamente relacionada à presença nas mídias sociais, ao Facebook, e a participação ativa, via móvel, na rede social.
A presença no Facebook pode ser feita com a criação de um perfil, onde seus amigos, após solicitação, mantêm contato, trocam e compartilham informações, postam fotos, vídeos, comentários etc. Este tipo de participação é limitada a 5 mil amigos.
A outra forma de participação é com a criação de uma Fanpage ou Página de fãs. A Fanpage é uma página específica dentro do Facebook direcionada para empresas, marcas, associações, sindicatos, partidos políticos, parlamentares, ou seja, qualquer organização ou personalidade com ou sem fins lucrativos que desejem interagir com os seus clientes/eleitores/cidadãos no Facebook.

Os políticos brasileiros têm uma compreensão diferenciada da importância da presença e do uso dos perfis e Fanpages no Facebook.
O quadro abaixo dá uma ideia do quantitativo dos perfis no Facebook existente no final de maio de 2013:
Os números são impressionantes e, mesmo considerando uma redução em torno de 25% de perfis (Fanpages) de empresas, de menores de 16 anos e perfis falsos (os “fakes”), eles permanecem muito altos. Em Brasília, unidade da federação com a maior inclusão digital, há mais de 1,5 milhões de perfis. Na cidade do Rio de Janeiro, há mais perfis no Facebook do que eleitores. Em Boa Vista, Roraima, estado que ampliou a participação na Internet em 346% no último ano, existem 127 mil perfis de usuários no Facebook que correspondem a quase 70% do eleitorado.
A participação no Facebook é livre e gratuita. Onde seria possível uma plateia tão participativa (em Brasília, 90% de todos os estudantes acessam a Internet e as redes sociais todos os dias), tão disposta a ouvir, criticar e a compartilhar opiniões? E, um aspecto não menos importante, com um custo extremamente baixo.
A resposta evidente parece não sensibilizar uma grande parte dos políticos brasileiros.
Cases: Políticos brasileiros no Facebook
A presença dos políticos e a utilização das ferramentas das redes sociais e do Facebook em especial são feitas de forma tímida e pouco profissional e, por incrível que pareça, solenemente ignorada por uma grande parte deles.
Na tabela ao lado temos a presença no Facebook de alguns políticos brasileiros.
O perfil falso (fake) da presidente Dilma Roussef encabeça a lista. Geralmente os fakes de políticos são produzidos no sentido de ridicularizar e criticar. Neste caso é um fake a favor que deu certo (veja o Box).
A lista continua mostrando como é diferente a percepção e o interesse dos políticos e de alguns potenciais candidatos em 2014 quanto ao Facebook.
Enquanto o prefeito de Salvador, ACM Neto, tem uma Fanpage com mais de 100 mil “curtidores”, o Governador Jaques Wagner tem uma página com menos de 5 mil e existe no Facebook uma página alimentada por seus adversários “Jaques Wagner o pior governador da história da Bahia” com 7 mil integrantes.
Dados de 31/05/2013 (*) Fake = página falsa.
(**) Na página pessoal 3.117 amigos e 2.757 na fanpage.
Marina Silva, capitaneando o projeto de criação do seu partido/REDE, tem uma página âncora para mobilizar o processo de recolhimento de assinaturas para a constituição do Partido com mais de 300 mil participantes. Com relação aos potenciais candidatos a Presidente, podemos ver que Aécio Neves e José Serra têm uma atenção especial à presença no Facebook, enquanto o Governador Eduardo Campos tem uma modesta página pessoal e uma fanpage com menos de 3 mil curtidores. Mais interessante é a situação no Rio de Janeiro. Os três potenciais candidatos ao governo: Lindberg, Pezão e Garotinho estão com uma boa presença no Facebook com páginas de excelente design, atualizadas e dinâmicas. Entre todas as citadas, cabe destaque à Fanpage do Garotinho. Ele soube usar as ferramentas de integração, os links com seus outros canais na web, relacionar a sua atividade diária com a postagem de fotos e vídeos e criar um canal para fidelização e relacionamento com o cidadão e potencial eleitor em 2014. Segundo o site socialbakers que faz acompanhamento de estatísticas no Facebook, a Fanpage do Garotinho foi, entre os políticos brasileiros, a que mais cresceu no mês de maio com 34. 843 novas adesões, sendo 1.362 apenas em um dia. A página do senador Aécio Neves também está tendo um crescimento expressivo e nos dois casos há alguns aspectos comuns que destacamos. Na abertura, as duas páginas apresentam alternativas de links para diversos canais. Na do Garotinho para: fotos, biografia, receba mensagens, instagram, Twitter, Google+, blog, realizações, vídeos e site religioso. Na de Aécio Neves para: fotos, termos de uso, instagram, notas, eventos e vídeos. Essa é uma maneira de integrar as diversas frentes nas redes sociais e incluir informações complementares de forma simples e rápida. As duas páginas abusam do uso de fotos e, especialmente na do Garotinho, a foto principal é substituída periodicamente.
Um dos grandes atrativos de uma página é o uso em escala de fotos e vídeos em detrimento de textos longos. Gerando contato qualificado Cabe destacar também a necessidade de inclusão de um formulário para geração de “leads”. O Lead é a denominação para um contato qualificado. O termo é usado comercialmente para a captação de contatos e interessados em um produto ou serviço. No caso de sites e páginas políticas a sua importância é bem grande. Quando uma visita ocasional a um site, blog ou fanpage muda de qualidade com o preenchimento de um formulário para receber informações, boletim, foto ou outro tipo de acesso a páginas e produtos gerados pelo detentor da página está se configurando uma nova relação. A geração de lead é fundamental para a criação de bases de dados consistentes e para a continuidade do relacionamento via CRM, email marketing ou simplesmente pelo envio de uma newsletter. Para o Facebook é necessária a produção de material exclusivo e ele deve ter marca do profissionalismo. Bem como a utilização correta do espaço com a postagem de conteúdo nas horas e dias certos. A empresa SCUP fez recentemente um estudo que está resumido no gráfico, mas com o cuidado de adequar às características próprias do público alvo frequentador da fanpage. O monitoramento permanente da página (e o Facebook tem ferramentas gratuitas para isso) permitirá um melhor gerenciamento de temas, tipo e melhores horários de postagem. Resumindo: 1. O Facebook é uma frente importantíssima para a atuação política. 2. A atuação no Facebook, como em todas as demais frentes na web, deve ser conduzida profissionalmente. 3. O Facebook é um canal de duas vias. Usá-lo apenas como um grande mural de informações é menosprezar o seu papel e o seu potencial. E por último não custa lembrar: 2014 está chegando!

Nossos senadores no Twitter: procurando o tom

No Senado Federal, casa considerada conservadora e tradicional, 42% dos senadores já têm perfil no Twitter, todos criados em 2009. Veja quem são os 34 nomes, quantos seguem e o número de posts de cada um.

“Apenas para consertar aí, vocês que vão rapidinho ali, na internet, naquele tal de Twitter e colocam as mensagens, por favor, coloquem essa mensagem rapidinho. O Aloizio já pode colocar no dele já, Aloizio, a mensagem, aí“.
(Lula em São Bernardo do Campo-SP, em evento sobre o marco regulatório do pré-sal. 25 de agosto de 2009.)
Quando o presidente Lula, em cerimônia pública amplamente divulgada nos jornais das TVs, refere-se ao ?tal de Twitter? está reconhecendo e divulgando a importância, cada vez maior, do miniblog junto à opinião pública nacional. O Twitter já estava na pauta da imprensa nacional em função da infeliz declaração do Senador Mercadante de que renunciaria à liderança do PT em ?caráter irrevogável?, o que não aconteceu. Mesmo sem o merchandising de Lula e as trapalhadas de Mercadante, o Twitter está tendo uma importante e crescente influência junto aos formadores de opinião brasileiros.
O público
Em pesquisa recente (1), verificou-se que o índice de penetração do Twitter entre internautas brasileiros em junho foi maior que a dos Estados Unidos e do Reino Unido. O Twitter foi visitado por 5 milhões de brasileiros com uma média de permanência de mais de 30 minutos, tempo superior ao dedicado pelos americanos e ingleses.
Outra pesquisa (2) definiu o perfil do usuário padrão:São homens, na faixa de 21 a 30 anos, formadores de opinião. A maioria possui seu próprio blog, levam as discussões e links interessantes que recebem no Twitter para seu próprio blog ou envia para seus amigos em outras ferramentas da web. A maioria usa o Twitter para compartilhar informações e links interessantes. Cerca de 80%
seguem ou já seguiram perfis de agências de notícias, como jornais, revistas e portais. Em síntese, um público privilegiado que merece especial atenção e cuidado.Seria natural, portanto, que o público do Twitter interesse aos políticos e parlamentares brasileiros. No entanto, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados no dia 8 de outubro, apenas 35% dos 513 deputados federais brasileiros usa o Twitter. Interessante é que no Senado Federal, casa considerada mais conservadora e tradicional, esse número sobe para 42%. São, até hoje, 34 os Senadores que já aderiram e participam do miniblog.
E é sobre essa participação dos Senadores brasileiros no Twitter que levantamos algumas considerações.
Começaram todos em 2009
Todos os Senadores criaram conta no Twitter em 2009. Dos 34, apenas oito tem mais três mil seguidores. São eles: Paulo Paim, Delcídio Amaral, Cristovam Buarque, Demóstenes Torres, Tasso Jeiressati, José Agripino, Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante. O campeão é Mercadante do PT-SP, com mais de 28 mil seguidores, enquanto Eduardo Suplicy tem um pouco mais de 3 mil e o outro Senador de São Paulo, Romeu Tuma, não usa o Twitter.
Os números totais são muito modestos para o universo Twitter. A CNN tem mais de 2,8 milhões de seguidores, Barack Obama, 2,4 milhões e Al Gore tem cerca de 1,8 milhão.
No Brasil destacamos três exemplos com números também elevados: Luciano Huck, alternando propaganda de seu programa na Globo e comentários sobre sua família, viagens etc. tem quase 1,2 milhão de seguidores. Mano Menezes, técnico do Corinthians, base quase total do seu público, conta com assessora para alimentar o seu Twitter e realiza promoções do tipo “acompanhe o técnico no seu dia-a-dia” para garantir os seus 1.080.330 seguidores (em 17/10).
Finalmente o apresentador do programa CQC, Marcelo Tas, com o patrocínio da Telefônica no seu perfil, tem mais de 400 mil seguidores.
100 mil seguidores no total
Todos os senadores brasileiros juntos reúnem apenas o modestíssimo número de 100.256 seguidores no Twitter.
Realmente é pouco, mas não pode ser desconsiderado. São mais de 100 mil formadores de opinião capazes de multiplicar, amplificar boas e más notícias. E é aí que as coisas se complicam um pouco.
A maioria dos senadores segue poucos perfis. Eles não costumam ser recíprocos e não seguem de volta. A relação é praticamente unilateral, o Twitter é mais uma tribuna para divulgação de sua ação parlamentar, reuniões e viagens. A relação fica bastante assimétrica e, entre os mais presentes, no Twitter apenas Paulo Paim mantém uma relação de equilíbrio entre o número dos que segue e dos que o seguem.
Na tentativa de ampliar o número de seguidores, alguns exageram no volume de informações postadas. É o caso das Senadoras Serys Slhessarenko (PT/MT), Lúcia Vânia (PSDB/GO) e do Senador Valter Pereira (PMDB/GO). Eles têm aproximadamente o mesmo número de mensagens quanto de seguidores. E o conteúdo?
A questão central é o que colocar na rede? Fazer um Twitter “chapa branca” apenas com informações oficiais é bobagem. Já existe o Jornal do Senado e toda a imprensa para cobrir as atividades parlamentares.
Manter um diário pessoal detalhando cada passo de suas andanças nacionais e internacionais é chatice.
O Senador José Agripino tem acertado em algumas ocasiões como no post: “Veja imagens de bastidores da sabatina de José Antônio Toffoli na Comissão de Constituição e Justiça” com o link para imagens, em tempo real, captadas através de um telefone celular.
O internauta quer informações relevantes, originais e, principalmente, atuais. O Twitter é um excelente instrumento para informar, mobilizar e estimular o debate. Os nossos Senadores estão começando a descobrir isso. Enquanto isso, vamos acompanhando mensagens, nem tão importantes e originais, que informam, por exemplo, que a cantora Alcione entregou seu novo CD, com dedicatória carinhosa, para o Senador Mercadante; que Senador Paim ficou feliz como o prêmio Nobel da paz para o Obama; ou aceitar a sugestão de “uma ótima diversão? Assistam Mama Mia” do Senador Cristóvam. Falta apenas modular o trinado, ajustar o passo e tornar as suas intervenções mais atraentes, atuais e instigadoras. Mas uma coisa é certa: os Senadores devem seguir a sugestão do Presidente Lula e fazer isso “rapidinho”.
(1) Pesquisa do Ibope Nielsen Online, divulgada em julho de 2009
(2) Pesquisa da Agência Bullet, divulgada em maio de 2009

Como fazer uma campanha arrasadora

Coordenador explica como a campanha de Obama conseguiu.
Por John Dickerson (*) 15 de novembro, 2012

Toda manhã o Coordenador da campanha de Barack Obama, Jim Messina, ligava o computador e via um panorama do estado da disputa. Engenheiros de software da campanha desenvolveram um painel de controle que mostrava quantas visitas domiciliares tinham sido realizadas pelos voluntários na noite anterior, quantos telefonemas tinham sido feitos, quantas doações tinham sido arrecadadas e o que estava acontecendo no Twitter e em outras redes sociais. Isso incluía o acesso a notícias tradicionais. “Isso me permitiu ter uma boa noção do que estava acontecendo em nosso mundo”. Messina diz que foi há cerca de 10 dias antes da eleição, quando ele olhou para os números, começou a sorrir. “Foi quando eu comecei a me sentir muito bem. Eu olhei para os números e nós estávamos esmagando o adversário.”
Mitt Romney se considera um “homem dos números”, mas no final, os números o traíram. Messina usou a mesma expressão para descrever a si mesmo, e, no final, ele ganhou. Sua obsessão com a medição e coleta de dados valeu a pena. Não porque ele abandonou o aspecto humano da política – exatamente pelo o oposto. A obsessão de Messina com números foi construída em conjunto com repetidas apostas sobre a natureza humana.
Eu conversei com Messina sobre as lições que tirou de gestão da campanha de 2012, sobre a construção da equipe, gerenciamento de informações e riscos, capacidade de adaptação, e quando apenas continuar. Durante todo tempo, a preocupação principal de Messina era de se esforçar para combinar o humano e o numérico.
Os escritórios de vizinhança da rede de voluntários são um bom exemplo da teoria humana por trás dos números durante a campanha. A equipe de Obama muitas vezes se vangloriou de quantos escritórios tinha aberto especialmente nos estados mais disputados. Durante o verão, quando conversei com um coordenador republicano em um destes estados sobre o número impressionante de escritórios de Obama, ele zombou do desperdício de tempo e dinheiro, era apenas muito gasto imobiliário. Além dos números existia uma teoria sobre a interação do eleitor. Se um eleitor conheceu alguém que se parecia com ele, o eleitor tenderia a ser mais receptivo à mensagem de Obama. Nos meses de visitas aos estados decisivos, os escritórios de Obama sempre pareciam refletir o cenário local; enquanto os centros de ação de Romney eram mais corporativos. O número de escritórios de bairro era realmente uma demonstração do compromisso com a conexão humana. “Essas pessoas recebem todos os tipos de informações, mas é mais importante se eles têm um vizinho que pode ajudá-los a organizar essas informações. Essa foi uma das armas secretas da campanha de Barack Obama”, diz Messina.
Empoderar (1) cada pequeno escritório de bairro era parte de uma maior estratégia da campanha de Obama sobre trabalho em equipe. “Quando você está em um universo de uma campanha de US$ 1 bilhão, você é, em muitos aspectos apenas alguém que une a equipe e procura empoderá-la”, diz ele. Isso parece confuso, e assim como a palavra “empoderamento”, daí que os dados surgem. Dados significam responsividade (2) (accountability). “O truque é permitir que todos se sintam como uma peça importante da construção, mas não pode ser utópico. Você tem que ter métricas precisas que são mensuráveis a cada dia. Há uma linha tênue entre permitir que as pessoas imaginem a campanha ideal e torná-los mais responsáveis.”
Como isso funciona na prática? Durante o ciclo de 2011, voluntários da Organização para a América (Organizing for America – OFA), braço da campanha de Obama, que nunca parou após o esforço de 2008, pediu para colocar suas energias em disputas como a eleição de Wisconsin do governador republicano Scott Walker e eleições locais para o Congresso e para prefeito. Messina originalmente queria que OFA apenas se concentrasse na corrida presidencial, mas ele mudou a estratégia usando o entusiasmo dos voluntários nas corridas locais para testar os sistemas que seriam utilizados na corrida presidencial. “Nós transferimos recursos para Wisconsin e fizemos alguns testes nas eleições de prefeitos e legislativas, o que se tornaram laboratórios do que construímos em 2012. Nós nunca planejamos fazer dessa forma, mas foi uma das melhores coisas que fizemos. As pessoas trabalhavam muito mais, estavam muito mais envolvidos, e aprendemos bastante com o que se tornaram nossos produtos de tecnologia.”
Um dos produtos que a equipe de Obama descartou foi o iPad na porta das pessoas.
Um dos produtos que a equipe de Obama descartou foi o iPad na porta das pessoas. Quando os voluntários tentaram usar o iPad para conversar com os eleitores, mostrando-lhes um vídeo ou outro material, isso não funcionou. “Mostrar anúncios na porta não faz sentido. Tratava-se de puxar conversas. Nós treinamos o nosso povo a ter conversas mais longas. Nós interagimos.”
Interação – o chavão favorito foi fundamental, e também não ter medo de cometer erros. “Em campanha você tem que se manter em movimento. Você tem que tomar decisões. Às vezes, a decisão errada é a certa, se você fizer rápido o suficiente. A política é movimento. Se você colocar um anúncio no ar, poderia ser mais bonito se você tivesse feito em mais dia ou tivesse feito outra versão, mas, seriam 24 horas sem expor sua mensagem.”
Um dia, o ex-governador da Flórida Charlie Crist ligou para dizer que a campanha estava mirando nos eleitores porto-riquenhos de forma equivocada. Messina ouviu e mudou a abordagem.
Messina e os outros estrategistas de Obama foram ouvir as vozes de dúvida, também. Entrevistas com vários membros da campanha de Romney sugerem que eles nunca levado a sério os cenários mais pessimistas sobre o comparecimento dos eleitores. (Kevin Madden conselheiro Senior discutiu isso comigo no Festival de Ideias de Aspen ontem ).
Eles nunca pensaram que os democratas viriam a focar nos números como eles fizeram. No quartel-general de Obama, eles adotaram uma abordagem mais cética. “Havia muita pressão sobre se íamos ou não ser muito retraídos”.
Nós saímos, andamos em todo o país e aprendemos com o povo para se certificar de que não estávamos acreditando nas nossas próprias bobagens. Eu disse para a nossa equipe: “Chequem de novo para ter certeza de que estávamos certo.“ Há uma tendência de ser escravo de seus próprios dados, mesmo que estejam errados. Lixo dentro e lixo fora. Sete dias nas ruas e eu orientei nossos pesquisadores e a equipe de análise para depurar os números. “Verifiquem novamente tudo e as premissas. Vamos supor que a taxa de participação eleitoral deles exploda, em quantos estados a mais teremos que ganhar?” Em um momento durante o exercício, o analista chefe da campanha rodou um modelo com o comparecimento eleitoral 8 pontos percentuais acima do que a campanha de Obama havia planejado. “O cenário projetava a vitória de Obama com 271 votos eleitorais”. “Ele disse: ‘Jim nós vamos vencer essa’”, lembra Messina.
Interação – o chavão favorito foi fundamental, e também não ter medo de cometer erros. Em campanha você tem que se manter em movimento. Você tem que tomar decisões.
Isso não significa que eles não estavam nervosos. “Nós acreditamos em nossos dados, mas eu estaria mentindo se eu dissesse que todas essas pesquisas erradas e militantes nervosos não nos fez verificar novamente as coisas.” Se alguns canais de comunicação foram abertos para a campanha, outros foram fechados. “A coisa mais inteligente que o presidente fez foi colocar o quartel-general da campanha em Chicago. Nós conseguimos sentar no escritório e manter o foco. Durante a crise do limite da dívida eu estava no banheiro lavando as mãos e um programador de software disse: “Ei, algo está acontecendo em Washington, D.C.”?” Eles estavam ocupados construindo essas ferramentas legais que íamos precisar em um ano e meio. Isso aconteceu bem depois do primeiro debate. As pessoas vieram descoladas, mas estávamos preocupados com o início antecipado da votação e que estávamos fazendo nas ruas.
Estrategistas de campanhas políticas irão aprender com campanha de 2012 de Obama como eles fizeram em 2008. Messina adverte contra isso. “Eu estudei todas as campanhas nos últimos 60 anos, e os que tentaram se reeleger como na primeira campanha acabaram perdendo. “Meu primeiro conselho para a campanha era aprender as melhores lições de 2008 e depois esquecer as eleições de 2008.” Se tivéssemos apenas um adesivo „esperança‟ desta vez, ele não teria funcionado.” Ser livre para descartar o passado não é um traço comum em campanhas políticas, que têm um lugar especial para as mãos velhas e sábias. ”Acho que os dias em que você senta em um quarto, fuma charutos e diz „é assim que você ganha Waukesha (cidade de Wisconsin) – esses dias acabaram”. Eu tenho trabalhado nisso por 20 anos, e muita coisa na política é pura porcaria. É a opinião das pessoas que dão respostas às perguntas que são realmente quantificáveis .
Não é apenas uma teoria. Ele tem os números para provar.
(1) Empoderamento, ou empowerment, em inglês, significa em a ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Essa consciência ultrapassa a tomada de iniciativa individual de conhecimento e superação de uma realidade em que se encontra. (2) Responsividade é um determinante da qualidade de serviços, sendo entendida como a prontidão no atendimento dos clientes ou como o tempo que estes devem esperar por resposta ou atenção.
(*) John Dickerson Correspondente político do site slate.com / Diretor Político CBS News. http://www.slate.com/authors.john_dickerson.html Twitter: @jdickerson

Dilma não é Barack e Serra não é Obama

A vitória de Barack Obama, sua trajetória nas prévias do Partido Democrata americano e, principalmente, o seu excelente desempenho na utilização de novas tecnologias e domínio das ferramentas e criatividade na sua campanha nas redes sociais marcaram uma nova era.

Com a campanha de Obama começou a nova forma de fazer propagandas eleitorais. Em 2008, nas eleições municipais, apesar da miopia dos legisladores, que tentaram, inutilmente, controlar o uso da internet nas campanhas, as mudanças foram significativas. Praticamente todos os candidatos a prefeito de cidades médias e grandes fizeram os seus sites, mantiveram comunidades no Orkut, produzieram e divulgaram seus blogs e com mais ou menos êxito, buscaram a interatividade com seus eleitores.

Para as eleições de 2010 confirma-se que a campanha tradicional dos carros de som, panfletagens e grandes comícios está com os dias contados! Chegou a hora da internet, do celular 3g, da TV digital e das novidades que surgem na web. Nestas eleições, além do tradicional “marqueteiro”, das pesquisas, da produção de rádio e televisão, será necessário agregar um profissional especializado em redes sociais. Mas quem será ele?

Começa, aí, o imbróglio! Hoje todo mundo se autointitula especialista em redes sociais. No Twitter pululam “experts” e centenas de empresas, a partir da rápida leitura da experiência Obama, se apresentam como capazes de “fazer campanha eleitoral nas redes sociais”. E essa super produção de técnicos recém convertidos não leva em conta três aspectos fundamentais.

Primeiro, ao contrário do que dizia um político baiano, nem tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Acenar para qualquer campanha com um site para o candidato capaz de carrear fundos “como o Obama fez” é enganação. No Brasil, não temos a tradição de doações voluntárias para campanhas. Fizemos recentemente um levantamento em cinco campanhas majoritárias grandes nas duas últimas eleições e as doações individuais não chegaram a 3% do total do valor oficial declarado. Pensar que um cidadão brasileiro, depois de ver políticos eleitos colocando dinheiro nas meias, nas bolsas e até na cueca, irá pegar seu cartão de crédito para contribuir numa campanha é muita ingenuidade. Devemos instituir mecanismos capazes de garantir as contribuições voluntárias sabendo que se isso significar algo em torno de 5% dos custos globais da campanha já será uma grande vitória.

Em segundo lugar, temos que entender a influência da internet. Enquanto a região do Lago Norte em Brasília tem 92% de suas residências conectadas com banda larga, índice alto até para o primeiro mundo, alguns estados patinam na inclusão digital. Nos EUA, a principal rede social é o Facebook, no Brasil (e na Índia), é o orkut. Se não considerarmos as diferentes realidades, tentando reproduzir tudo que deu certo lá, e que não foi testado em terras brasileiras, jogaremos tempo e dinheiro fora.

Finalmente, a eleição: campanha eleitoral, não é propaganda de cerveja. É uma campanha política, que ao planejar, organizar e coordenar, a empresa ou o profissional de marketing deve ser cuidadoso. Sem política, conhecimento da realidade, da história, dos costumes do público eleitor envolvido, por mais mirabolantes que sejam as propostas de ação na web, elas estão condenadas ao fracasso, ao desperdício de recursos, à perda de tempo e de votos. No país do rebolation cabe a sugestão aos nossos candidatos para 2010: vamos botar a mão na cabeça, ter jogo de cintura e apostar com cautela nos novos horizontes abertos com a web 2.0.

Uma nova Era para as campanhas eleitorais

Em 1989, na primeira campanha presidencial após 29 anos de jejum democrático, tivemos oportunidade de participar tentando superar a inexperiência nacional e agregar o que havia de mais moderno de comunicação e tecnologia.
Pela primeira vez no Brasil as campanhas contariam com a existência de uma rede nacional de Rádio e TV; a pesquisa de opinião seria usada de forma intensiva e seria possível usar a informática.
A campanha de Fernando Collor foi a única que soube, a partir dessas premissas, utilizar bem os instrumentos existentes, inovar e criar novos caminhos de aproximação com o eleitor.
Sem a retaguarda de um grande partido, a campanha agregou 500 mil voluntários através do uso intensivo do telefone (e sem 0800!); enviou quatro milhões de kits de campanha e, foi capaz de acompanhar a mídia nacional, os pronunciamentos e a agenda dos adversários, embora não existisse internet.
Após dez eleições nacionais na Nova República, o processo de planejamento, organização e operação de campanhas eleitorais precisa se adequar e inovar. O desafio é tornar as campanhas mais eficientes, ajustando-se às transformações tecnológicas da sociedade e ao avanço das novas propostas de marketing para o século XXI.
A realidade hoje é muito diferente e as campanhas devem acompanhar o novo momento sócio-tecnológico. Atualmente no Brasil, são vendidos mais computadores que televisões; existem mais de 120 milhões de celulares em operação; 49 milhões de pessoas acessam Internet e a convergência entre celular, a televisão e a Internet já é uma realidade com a chegada dos celulares de terceira geração (3G).
A disseminação da cultura internet está em todos os segmentos da população. Temos na rede social Orkut em Salvador, mais de 400 mil participantes em comunidades relacionadas à cidade, não incluídas nesse número as de blocos de carnaval ou de times de futebol. Em São Paulo, capital, apenas seis comunidades têm mais de 650 mil participantes, tais como “Eu amo São Paulo”, “Avenida Paulista” ou “Zona Leste”. Por R$ 1,00 qualquer jovem de periferia passa uma hora no computador e, tenham certeza, todos têm seu perfil no Orkut, sabem o que é scrap, e-mail e messenger. Dos 49 milhões de usuários da Internet no Brasil, 32 milhões têm acesso domiciliar e dos 6 milhões que acessam regularmente a internet em locais públicos, pagos ou com acesso livre, 50% são das classes C, D ou E.
A partir desse cenário, entendemos que a campanha municipal de 2008 será o grande ensaio para uma nova Era de campanhas eleitorais no Brasil que permitirá interatividade total entre o candidato e seus eleitores com base nessas novas tecnologias.
As atuais eleições norte-americanas ilustram bem essa nova realidade. As campanhas vêem sendo marcadas pelas inovações, tais como: o envio de informações pelo celular; toques personalizados para os telefones móveis; notícias em tempo real; propagação de vídeos e fotos; orientação para o trabalho voluntário por meio de ligações telefônicas; e principalmente, arrecadação de fundos para suas caríssimas campanhas.
Os pré-candidatos americanos estão usufruindo da potencialidade que as inovações da internet permite. O pré-candidato democrata Barack Obama mais do que os outros. Com efeito, em fevereiro passado ele arrecadou US$ 55 milhões de dólares, sendo que US$ 45 milhões vieram on-line através de seu site. A esmagadora maioria das doações era de valores inferiores a US$ 300. Os sites dos pré-candidatos americanos são modelos de como serão as futuras campanhas eleitorais.
Nos Estados Unidos o Orkut não deu certo, a grande rede social é a Facebook. Hillary está lá e tem 130 mil amigos cadastrados. Obama possui mais de 670 mil, até 7 de março. Ele também está presente no site de afro-americanos Blackspace com mais de 470 mil amigos. As duas páginas têm links diretos para outros sites de redes, vídeos e fotos.
Além disso, no planejamento das campanhas eleitorais adequadas aos novos tempos, dois termos se fazem presentes: blogosfera e marketing viral. Blogosfera é o termo que reúne todos os blogs e comunidades de redes sociais. É o conjunto de informações, opiniões, comentários e críticas gerados e circulantes nesses ambientes. Os blogs são, essencialmente, apenas o textos publicados expressando idéias e os pensamentos de um autor, enquanto a blogosfera constitui um verdadeiro fenômeno social.
Quando, por exemplo, uma matéria é publicada em blog pessoal ou de jornal ou revista, geralmente é aberto um espaço para comentário. Esses comentários trazem réplicas e tréplicas e podem ter maior ou menor repercussão. Dentre as novas demandas de uma moderna campanha eleitoral não basta apenas monitorar a mídia e produzir clippings; é imprescindível monitorar a blogosfera.
Já o marketing viral se refere a técnicas de marketing que tentam explorar redes sociais pré-existentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca, com processos similares à extensão de uma epidemia. Em suma, trata-se do marketing gerado na blogosfera, pelo consumidor, no nosso caso , pelo eleitor.
O marketing viral já está sendo usado amplamente na pré-campanha americana. O exemplo mais famoso é o vídeo pró Barack Obama “Yes, We Can”, que contabiliza mais de doze milhões de acessos no youtube. A produção traz uma série de artistas americanos cantando música criada por Will.i.am, líder da banda Black Eyed Peas, com base num discurso do
candidato. Além desse, outro no mesmo formato satiriza o adversário Mccain e seu discurso belicista (dois milhões de acessos). Hillary tem 296 vídeos no youtube e Obama tem 781.
No Brasil, ainda estamos engatinhando a caminho da plena utilização dos recursos disponíveis, mas é preciso compreender que já estamos em uma nova Era. A disseminação do uso de equipamentos de TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação) permite às campanhas agilidade, rapidez e amplitude nunca imaginadas. A evolução, tanto de hardware como de software, agrega à campanha a capacidade de trabalhar com grandes volumes de dados permitindo acumular, agregar e cruzar informações, segmentando alvos e definindo nichos de atuação. É possível acessar fontes de informação de interesse, tais como notícias, legislação, informações sócio-econômicas etc., tudo em tempo real. O eleitor tem acesso, via internet (inclusive pelo celular), aos sites de informação e de acompanhamento da atuação parlamentar/legislativa.
Os candidatos têm, a partir da próxima eleição, que aprender a conviver e a utilizar os novos caminhos ditados pelo crescimento avassalador das novas tecnologias. Uma campanha moderna e ousada, que saiba utilizar todos os instrumentos disponíveis levará, sem dúvida, ao aumento da sua competitividade e, possivelmente, à vitória.
A campanha tradicional do carro de som, do panfleto e dos grandes comícios está com os dias contados. Chegou a hora da Internet, do celular 3G, da TV digital e do que ainda virá.
Nas futuras eleições, é bem possível que quem participe se surpreenda com o anacronismo das idéias deste artigo.
Alvaro Lins, desde 1985, trabalha desde como consultor no planejamento e organização de campanhas eleitorais. Em 1988, idealizou o “Projeto Presidente” para a campanha presidencial de Fernando Collor, integrando, pela primeira vez, as áreas de informação, telemarketing e informática. Colaborou em mais de cinqüenta campanhas majoritárias e proporcionais em quase todos os estados brasileiros.